Ao choro do poeta ou ao moço que me ofereceu um retrato e hoje retribuo o presente…
Já fez um ano que a gente se conhece, sabia? O tempo largou de nos fazer objeto de estudo, arrancou nossa pele entre suas experiências e hoje estamos descabidos de proteção. Ainda olho em teus olhos, mas te imagino em uma realidade ainda mais distante da minha. Encaro suas mãos e as vejo mais impassíveis de serem seguradas. Só que eu ainda te reconheço, te sinto e te recordo.
Não quero te arrancar mais a pele. E juro que a idéia em te deixar em um retrato, para estar protegido e eu te relembrar, me agrada. Mas não te faria viver, por isso arranco os laços que possam te prender a mim e tento te cuidar de mansinho, do jeito que sei que gosta. No silêncio que te agonia, no entanto te dá vontade de conhecer mais a vida. Porque no fundo, Ma.. – deixe-me ficar quieta! Não posso dizer teu nome aqui. Porque no fundo… gostaria que minhas palavras tivessem o poder de se fazerem roteiro nessa nossa vida. Gostaria de encurtar os espaços que estão formados. Mas cê sabe que não podemos. A cada dia os sonhos se encurtam por serem impassíveis do real. E me sinto desfalecer um pouquinho por deixar de acreditar neles.
Sei que cê continuará sonhando, isso está aquém de onde você está. É quem você é. Só queria que entendesse meu silêncio que não te preencheu, eu sei. Que não te alimentou, não te aqueceu em noites frias e muito menos te deu amor. É… não dá, não dá! Por isso hoje te liberto pra ser mais. Pra sonhar mais, descobrir mais, viver mais. Já que em mim o sonho se esvaeceu e permanecerá tudo assim: Você entre teus sonhos e eu no dever de ficar presa neste retrato… que te ofereço a guardar com esmero e carinho. Não vá embora. Só me deixa continuar te vendo na distância que me alimenta o riso…
(PalavraMunida)

